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Higiene das Mãos com Asseptgel

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"Mãos lavadas, vírus e bactérias eliminadas”

RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS SOBRE HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS


Mãos lavadas, bactérias eliminadas”

Fazer o bem sem olhar a quem, é lavar as mãos e não contaminar ninguém”

(Concurso de frases sobre a higienização das mãos HRT – 2005)


1- Definição de Termos:

Higienização das mãos: “é a medida mais simples e menos dispendiosa para prevenir a propagação das infecções relacionadas à assistência á saúde”1. Portanto, é um procedimento fundamental para a prevenção da transmissão de microrganismos para os pacientes e contribui para a proteção (biossegurança) dos profissionais de saúde. Os objetivos da higiene das mãos são: remover sujidades, diminuir, eliminar ou inativar a microbiota das mãos.

         Microbiota (flora) residente ou colonizadora: Colonizam as camadas mais profundas da epiderme e são mais resistentes à remoção pelas técnicas de higienização. É composta por bactérias normalmente presentes na superfície cutânea: estafilococos, difteróides e micrococos.

Microbiota (flora) transitória ou contaminante: Colonizam camadas mais superficiais e são, geralmente, removíveis pela higiene com água e sabão ou destruídos/inativados pelo uso de anti-sépticos. São geralmente adquiridos durante o cuidado aos pacientes e estão relacionados freqüentemente às infecções hospitalares. estafilococos aureus, enterococos, bactérias Gram-negativas, fungos e vírus.


2- Técnicas de higiene das mãos


Para higienização das mãos são preconizadas quatro técnicas: higiene com água e sabão, fricção com álcool, anti-sepsia com degermante e anti-sepsia cirúrgica. Cada uma dessas técnicas atinge seu objetivo (Quadro 1) quando realizada com produtos adequados e dentro de uma rotina (item 4).


Antes de realizar a higiene das mãos, para qualquer técnica, observar:

  • Retirar anéis, pulseiras, relógios e acessórios

  • Manter as unhas aparadas

  • Não deve haver lesões de pele nas mãos

Quadro 1 Técnicas de higienização das mãos


2.2- Produtos para higiene das mãos:

Sabão líquido para higiene das mãos: produtos que apresentam ação de limpeza (detergente) e são destinados para higiene das mãos. Nos serviços de saúde recomenda-se o uso de sabão líquido, tipo refil, devido ao menor risco de contaminação do produto. Recomenda-se ainda que seja agradável ao uso, possua fragrância leve e não resseque a pele2.

Anti-sépticos: são substâncias microbicidas ou microbiostáticas destinadas a diminuir, eliminar ou inativar a microbiota das mãos da pele. Entre os anti-sépticos, os mais utilizados são: álcoois, clorexidina, compostos de iodo, iodóforos e triclosan. Cada um desses produtos possui características específicas (Quadro 2).

Anti-séptico degermante: sabão contendo um agente anti-séptico em sua formulação.

Preparação alcoólica para higiene das mãos: preparação contendo álcool, preferencialmente a 70%, sob a forma de gel ou solução com emolientes, destinada à aplicação nas mãos.

Escova / esponja descartável para anti-sepsia cirúrgica: produtos descartáveis com esponja e escova de cerdas macias, embebidas ou não em anti-séptico, usados para a higiene das mãos, antebraços e cotovelos da equipe cirúrgica.


+++ atividade excelente ++ boa, porem não cobre todo o espectro + pobre – nenhuma ação

  1. Concentração recomendada: 70%

  2. Raras reações alérgicas

  3. Irritação da pele e alergia mais freqüentes

(Fonte: Adaptada de CDC. Guideline for Hand Hygiene in Health-Care Settings, 2002)

3- Quando higienizar as mãos e qual a técnica utilizar?

Os cuidados com a conservação da higiene pessoal e do ambiente devem ser mantidos e estimulados nos serviços de saúde. Alimentar-se, ir ao toalete, usar o lenço e outras ações devem comportar hábitos saudáveis que contribuam para a proteção pessoal e, conseqüentemente, para a das demais pessoas.

Situações de risco diferenciado existem no ambiente hospitalar e, adicionalmente, cuidados especiais para a higiene das mãos devem ser observados no que diz respeito a indicações e técnicas. Para esse fim, é necessário praticar de forma racional a higiene das mãos, considerando: o tipo de procedimento (Quadro 3); a suscetibilidade do paciente; e as orientações do NCIH em situações epidemiológicas específicas.


Indicações específicas conforme a situação do paciente:

Adicionalmente, observar a situação de pacientes muito vulneráveis ou em situação epidemiológica de risco.

Fazer a fricção com álcool ou anti-sepsia com degermante:

  • Antes do contato com pacientes críticos3 ou imunodeprimidos

  • Após contato ou após a remoção das luvas, em caso de precauções (isolamento) de contato (inclui pacientes colonizados ou infectados por bactéria multirresistente ou objetos e superfícies presentes no isolamento)

4- Rotinas de higiene das mãos:

4.1-Higiene com água e sabão líquido


  1. Abrir a torneira4 e molhar as mãos, sem encostar -se à pia;

  2. Ensaboar as mãos. Use sabão líquido (± 2 ml) suficiente para cobrir todas as superfícies das mãos.

  3. Friccionar todas as superfícies das mãos, com particular atenção para as extremidades dos dedos, unhas e espaços interdigitais. Não esquecer o dorso da mão, o polegar e o punho;

  4. Enxaguar as mãos, retirando totalmente o resíduo do sabão, no sentido dos dedos para os punhos;

  5. Enxugar com papel-toalha, iniciando pelas mãos e seguindo pelos punhos;

  6. Fechar a torneira utilizando o papel-toalha, sem encostar-se à pia ou torneira;

  7. Desprezar o papel-toalha no contenedor de resíduos comuns.


4.2- Fricção com álcool


  1. Aplicar na palma da mão produto a base de álcool 70% em quantidade suficiente para cobrir todas as superfícies das mãos;

  2. Friccionar todas as superfícies das mãos, com particular atenção para as extremidades dos dedos, unhas e espaços interdigitais. Não esquecer o dorso da mão, o polegar e o punho;

  3. Aguardar secar naturalmente sem o uso de toalha.


4.3- Anti-sepsia com degermante (PVP-I, clorexidina, triclosan)


  1. Abrir a torneira e molhar as mãos, sem encostar-se à pia;

  2. Aplicar anti-séptico degermante (± 2 ml) suficiente para cobrir todas as superfícies das mãos.

  3. Friccionar todas as superfícies das mãos, com particular atenção para as extremidades dos dedos, unhas e espaços interdigitais. Não esquecer o dorso da mão, o polegar e o punho;

  4. Enxaguar as mãos, retirando totalmente o resíduo do sabão, no sentido dos dedos para os punhos;

  5. Enxugar com papel-toalha, iniciando pelas mãos e seguindo pelos punhos;

  6. Fechar a torneira utilizando o papel-toalha, sem encostar-se à pia ou torneira;

  7. Desprezar o papel-toalha no contenedor de resíduos comuns.


4.4- Anti-sepsia cirúrgica (com escova / esponja embebida em solução degermante de clorexidina ou PVP-I)


  1. Abrir a torneira5 e molhar as mãos, antebraços e cotovelos

  2. Utilizar esponja / escova com cerdas macias (estéril e descartável) embebida em solução anti-séptica;

  3. Espalhar o anti-séptico com a esponja por todas as partes;

  4. Limpar sob as unhas com a escova ou limpador de unhas (que acompanha a esponja);

  5. Escovar as mãos e antebraços por no mínimo, 3 minutos, com particular atenção para as extremidades dos dedos, unhas e espaços interdigitais, mantendo as mãos acima dos cotovelos;

  6. Enxaguar com água corrente, a partir das mãos, mantendo-as elevadas, com os antebraços fletidos, de forma que o excesso de água escorra pelos cotovelos;

  7. Enxugar com toalha ou compressa estéril, com movimentos compressivos, iniciando pelas faces das mãos até chegar aos cotovelos, atentando para utilizar as diferentes dobras da toalha/compressa para regiões distintas;

  8. Entre cada cirurgia, repetir o mesmo procedimento.



No caso de não disponibilidade da escova de cerdas macias: o anti-séptico é espalhado e friccionado com as mãos. As unhas são limpas também através da fricção contra a palma da mão.

5- Unidade de Higiene das Mãos


As unidades de higiene das mãos são estruturas especialmente designadas para a higienização das mãos dos profissionais que trabalham em serviços de saúde e que mantêm contato direto ou indireto com os pacientes. No hospital, essas estruturas estão sinalizadas com cartazes que orientam a realização da técnica específica. Cada uma dessas técnicas exige uma composição diferente das unidades de limpeza das mãos (Quadro 4).

6- Orientações para a definição do tipo de unidade de higiene das mãos por área

A escolha da técnica de higienização das mãos em cada área ou setor deve ser feita de acordo com os procedimentos usuais realizados no setor, a suscetibilidade dos pacientes e a possibilidade de transmissão de microorganismos de importância epidemiológica. O Quadro 5 traz orientações sobre a higienização das mãos conforme os procedimentos usuais realizados em cada setor.



  • Oferecer alternativas na mesma sala ou no mesmo ambiente permite racionalizar a higienização das mãos.

  • As recomendações não são válidas para ocasiões de surto (neste caso, seguir orientação específica do NCIH) ou quando da realização de procedimentos especiais ou diferentes dos usuais no setor.

  • Em geral, fricção com álcool pode substituir a higiene com água e sabão em todas as situações, exceto quando as mãos estão visivelmente sujas ou contaminadas com material orgânico.

  • Banheiros e sanitários de servidores e funcionários devem possuir recursos para higiene pessoal. Esses locais não constituem, a princípio, Unidade de Higiene das Mãos.

  • Embora também não constitua uma Unidade de Higiene das Mãos, o depósito de material de limpeza (DML) deve dispor de tanque e recursos para higiene das mãos de uso exclusivo do funcionário da limpeza.

7- Orientações para a limpeza e desinfecção dos dispensadores de sabão líquido ou anti-séptico

Dispensadores com bolsas descartáveis (refil) são indicados para compor as Unidades de Higiene das Mãos. Caso não haja disponibilidade, usar dispensadores com bolsa não-descartável ou almotolias pequenas, atentando que as soluções nesses dispensadores podem se contaminar e constituir em fonte de microorganismo. Neste caso, os seguintes cuidados de limpeza e desinfecção devem ser observados.

Freqüência de limpeza e desinfecção: diária

Técnica:

  • Remover o reservatório com cuidado

  • Esvaziar todo o conteúdo

  • Lavar com água e sabão (não usar lã de aço ou esponja abrasiva)

  • Secar com pano limpo

  • Friccionar, interna e externamente, com álcool 70% por três vezes consecutivas6

  • Álcool também deve passar por todo o circuito de saída da solução

  • Após secar, colocar a solução em quantidade suficiente para um dia de uso (evitar encher desnecessariamente)


Opção:

  • Após lavar e secar, desinfetar com hipoclorito 0,02 % 60 minutos. Secar com pano limpo.


Observações:

  • Nunca complementar a solução sem realizar o processo de limpeza e desinfecção.

  • As soluções dispensadas pela Farmácia Hospitalar ou pela empresa de limpeza devem seguir as boas práticas de manipulação, de acondicionamento e de rotulagem.

  • As soluções devem ser armazenadas adequadamente nos setores (Salas de DML/Posto de Enfermagem). O setor deve manter os rótulos e as condições de embalagem da solução originalmente dispensada.

Responsável pela limpeza: Em geral é feita pelo funcionário da limpeza. O processamento dos dispensadores deve ser sistematicamente supervisionado.

Responsável pela supervisão e gerenciamento do processo: Além do papel das chefias e supervisores de enfermagem e do NAG, recomenda-se que cada setor designe um servidor colaborador (em geral, um técnico de enfermagem). Esse servidor pode auxiliar no gerenciamento do funcionamento das UHM e na supervisão dos procedimentos de limpeza e desinfecção dos dispensadores. Este servidor também pode auxiliar nas atividades de educação permanente sobre higiene das mãos no setor.



Fonte: Núcleo de Controle de Infecção Hospitalar